try to take comfort in words
Sinto impulsionado a dizer algo, a chegar-me junto dela e dizer tudo o que me vai no coração, que por muito repetido que possa ser, é o que sinto e é aquilo que penso que lhe devo dizer, mas ao mesmo tempo sinto que não posso fazê-lo...as palavras vão-se repetir, os gestos vão ser os mesmos, verdadeiros e de coração, mas estarei novamente a forçar uma situação que não é fácil e simples para nenhum dos dois e por muito que goste dela, não posso chegar ao pé dela e voltar a dizer as mesmas coisas, vezes sem conta, na esperança que alguma coisa mude com as minhas palavras, que desde a última vez se tenha dado um click qualquer e os sentimentos tivessem mudado. Não é assim que as coisas funcionam, não é assim o amor.
E eu sei disso, por muito que queira falar, e precise de falar, sei que pouco ou nada iria alterar, poderia era até piorar as coisas, mas também não posso viver com as coisas entaladas na garganta.
É tanto o que lhe tenho para dizer, mas não posso. Não quero perder nada do que tenho e se isso implica não ganhar mais, talvez tenha de ser assim. Muitas coisas ficam por dizer e muitas mais por fazer e talvez procure conforto nas palavras, porque não é fácil estar junto da mulher que amas e não lhe poder dizer isso.
Há coisas que nunca estarão no teu controlo e que dependerá de outros para que se concretizem, se assim tiver que ser, sei tão bem isto e já o disse e escrevi tanta vez, mas ainda assim cá estou outra vez com o mesmo problema.
Mas será que se tivesse essa oportunidade de falar conseguiria dizer tudo o que sinto? Por muito que queira dizer algo que mostre o meu amor, as palavras nunca chegam, nunca servem.
Já fiz muito para mostar o quanto ela é importante para mim, o quanto gosto dela, por muito que queira não posso fazer mais, ela sabe que o que sinto é verdadeiro e é forte, mas o resto é exterior a mim e nem sempre é da forma que queremos ou gostamos.
Mas até que ponto tenho esse direito? Estou a ser tão egoísta...estou a pensar apenas em mim, naquilo que eu preciso...naquilo que eu quero, e que tal pensar no que ela pode sentir? No que ela quer, não é isso o amor? Compartilha de sentimentos, de emoções? A preocupação no bem estar do outro e só depois no nosso?
Que tal colocar-me um pouco que seja na situação dela? Não é fácil, não é nada fácil, eu sei disso, e respeito a decisão dela, qualquer uma.
Gosto imenso dela, não posso negar, é algo que me ultrapassa e que não renego. A certeza de um amor é brutal, pode ser inquientante por vezes, mas extremamente reconfortante pois faz-te sentir vivo, faz-te sentir a força do sangue que te corre nas veias. Será que é muito evidente o sentimento? Não sei, talvez já tenha sido mais, no furor da paixão inicial em que somos tomados por algo extremamente forte que nos tira fora de nós, até que esse sentimento evolui e ou desaparece, como paixão arrebatadora que surgiu, ou cresce e torna-se verdadeiro amor, que é algo bem mais fascinante, cativante e extraordinário e que se vai adensando e alicercando, tornando-se em algo extremamente importante e relevante na tua vida.
Acho que é fácil de adivinhar qual destas sinto e que algumas dores de cabeça me tem dado...
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