sexta-feira, 18 de maio de 2007

What is Love?

O Homem sempre procurou explicação para tudo, principalmente para aquilo mais complexo e para o qual não existe uma explicação lógica. Mas isso não quer dizer que a explicação encontrada, se é que se encontra uma, seja a correcta.

A descoberta foi sempre uma força motivadora da ciência e do porquê das coisas serem como são. É importante que as coisas tenham um sentido, um significado e que não sejam ou existam porque sim.

Mas há coisas que a ciência não explica. Existe alguma ciência no que a relações humanas diz respeito? A ligação afectuosa invisível que une dois seres concretos? O sentimento de conhecimento e de amizade que se estabelece entre as pessoas? É possível quantificar isso? A ciência quantifica isso?
Não me parece.

Nem me parece que alguém seja capaz de quantificar isso, nem de dizer o que interiormente isso significa. Decerto que há uma zona qualquer no cérebro que trata disso, mas vou deixar isso para os Antónios Damásios desta vida.


Não faço ideia do composto químico ou físico que compõe tais ligações, mas se este já é de difícil explicação, então mais difícil o será explicar o Amor.

Como explicar um fenómeno sentimental dirigido a outrem, mas que nos afecta de forma tão intensa, não só na alma, mas também com manifestação físicas. Falta de apetite, aperto no estômago, nervosismo incontrolável, ansiedade, incapacidade de pensar e articular frases com sentido.

Quem é que ainda não sofreu destes sintomas? E como fizeste para os ultrapassar? Já alguém foi ao médico e teve como diagnóstico: "Meu amigo, tá aqui um caso grave. Você tem uma forma rara de Paixonis Enamorados, ou seja, Paixão incontrolada com agravamento para Amor."

O Amor é algo que não se explica, nasce naturalmente e que se desenvolve dentro de nós. É a derivada, completa e não parcial, de uma Paixão, uma conexão abstracta e exacerbada a outro ser que se torna numa ligação directa e inviolável. Ou pelo menos pensamos nós ser assim, a verdade é que acaba por não ser assim tão inviolável como pensamos.

A altura de quebra da ligação, causa-nos um transtorno imenso, e mais uma vez as consequências não são somente psíquicas mas também físicas. Aqui acaba por ser o nosso espírito que tenta expelir do nosso ser o elemento perturbador e causador de dor, mais tarde ou mais cedo, com mais ou menos dor isso acaba por acontecer. É da nossa natureza expelir aquilo que não nos interessa, e ainda bem que assim é.

Ninguém gosta de sofrer, muito menos por Amor, a menos que exista um masoquista sentimental.

Depois de termos conseguido expurgar aquilo que nos atormentava, é normal que tão depressa não nos apanhem noutra. Por isso nos fechamos na nossa concha, criando o sentimento de segurança e isolamento que só conseguimos no nosso mundo, não deixando que alguém se aproxime muito da concha, quanto mais ousar sequer entrar nela para nos "roubar" o coração de novo, coração que tanto tempo levou a recompor.
Não queremos, nem vamos deixar, que volte a estar exposto para que nada de mal lhe aconteça, pois sabemos que agindo assim estaremos seguros. Porque a cada quebra mais difícil se torna o recompor, mais forte se torna a dor, mais resistentes vamos sendo ao abrir o coração a alguém.

Por isso fugimos ao serem apresentados os primeiros sintomas de alguém que se quer aproximar da nossa concha, sem nos apercebermos que muitas vezes a fechamos à pessoa certa e a abrimos à pessoa errada.

Depois de muito tempo dentro da concha, temos a necessidade de a abrir e procurar alguém que nos complemente, na procura louca e desenfreada de alguém que queira estar dentro da nossa concha e que mereça lá estar. Mas essa procura não pode ser forçada nem apressada, tem de decorrer de forma natural e progressiva.

Temos de deixar que as pessoas se aproximem da nossa concha, mas saber filtrar da água salgada que nós queima mais nas feridas, da água doce que pode queimar sim, porque a ferida ainda lá está, mas que vai apaziguar e ajudar a sarar.

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