Lágrima
Às vezes temos medo demais, medo daquilo que possam dizer de nós, daquilo que podem dizer sobre o que fazemos, medo que nos vejam frágeis, medo que nos sintam vulneráveis, medo de arriscar, medo do desafio.
Não tenho medo desses medos, não porque sou um super-herói, nem porque não os sinta, porque sinto, mas porque os admiro e os considero indispensáveis. É nessa altura que o ser humano se revela, é nessa altura que vemos que não somos só carne e osso, que temos emoções e sensações que conduzem e orientam a nossa vida, é aí que percebemos os conflitos entre o emocional e o racional.
É perante a dúvida e a incerteza que procuramos as respostas, e partimos à procura das soluções.
É com estes medos que vamos vivendo e convivendo com os outros e com a vida, é com isto que crescemos e que vamos evoluindo.
É assim que criamos afectos e ligações, que temos surpresas e desilusões, que estamos contentes e alegres assim como estamos tristes e desalentados.
São estes medos que se vão acumulando em nós, que acabam por criar pressão e agitação, que geram conflitos e afinidades, mas é com estes medos, que não controlamos ou conseguimos gerir, que quebramos. São nesses momentos que nos apoiamos na bravura dos outros, na sua capacidade de conseguir lidar com isso. São nesses momentos que nos entregamos à guarda dos outros para que nos protejam até conseguirmos enfrentar esses medos sozinhos. São nesses momentos que acabamos por mostrar a nossa fragilidade, a nossa incapacidade de lidar com tanta coisa, é aí que soltamos aquilo que não conseguimos prender mais, é aí que soltamos uma lágrima.
E uma lágrima pode trazer tanto. Alegria, tristeza, fervor, desilusão.
Uma lágrima pode significar tanta coisa, mas o mais bonito e importante é o facto de alguém se sentir à vontade para chorar ao pé de nós, simplesmente esquecer-se de tudo e libertar o seu coração numa lágrima.
É neste instante que nos libertamos de todos os medos, e que, sentindo-nos pequenos, nos tornamos gigantes.
1 comentário:
Como te percebo. Dadas as horas avançadas em que escrevo sinto-me também mais vulnerável a sentimentos que descreves e a rever-me nas tuas palavras. Para mim não é a almofada que é boa conselheria, mas sim a noite. Este é um momento propício a revermos a nossa vida e a exteriorizarmos um pequeno sinal do que se passa conosco. Sinal esse que não é de fraqueza, mas testemunho de "limpeza da alma", de descarregar de todo o acumulado que se construiu ao longo do tempo. Sinceramente desconfio muito de quem não o faz. Ter alguém por perto é sempre melhor o que não se sucede neste momento. Mas tento fazer com que as palavras sejam esse veículo de exposição e ao mesmo tempo de amparo nos momentos difíceis.
PC
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