segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Um dia atípico

Não há forma de conseguir descrever o dia de hoje em condições, só mesmo estando no imenso caos que foi o trânsito é possível entender e compreender o que aconteceu, ainda assim aqui fica a descrição do que foram umas belas 4 horas sempre dentro da mesma viatura.

Estando apenas um carro disponível e estando a chover a potes, tive de levar os meus pais até porto seguro para se deslocarem aos seus locais de trabalho.
Eram 7h25.
Foi então altura de me deslocar para o meu local de trabalho apanhando o final do IC-16, tendo aí o primeiro contacto com o enorme trânsito e com as consequências do mau tempo.
Eram 7h46.
Demorei cerca de 25 minutos para conseguir passar o final do IC-16 e a respectiva piscina que se formou debaixo da ponte, é também nessa altura que tento avisar quem também terá de fazer esse percurso, mal sabendo eu do calvário que ainda estava para vir.
Passados 150 metros do Odivelas Shopping o trânsito para, e percebendo que ainda era capaz de demorar desligo o carro, gesto que rapidamente todos seguem acompanhando as indicações do trânsito que as sáidas de odivelas, senhor roubado e afins estão fechadas.
Eram 8h16.
Rapidamente começam os contactos com outras pessoas em situação semelhante, especialmente com a Diana que se encontrava no meio da mesma confusão, mas 800 metros atrás. Entretanto dá para ouvir tudo que passa na rádio e as pessoas começam a sair dos carros, inclusivé a menina do Cinquecento à minha frente que leva o seu cão de belo porte à berma para as necessidades do bicho.


Faço também os primeiros contactos telefónicos e percebo que de facto o caos está instalado em Lisboa, com todos os acessos intransitáveis a menos que se fosse de metro. Parece que foi o único meio que não deu muito problema.
Fazemos as primeiras apostas para as horas de chegar ao trabalho, as primeiras estimativas apontam para as 10h.
Eram 8h48.
Vendo que o meus planos de chegar cedo para sair cedo estão longe de se concretizar, começo a fazer algum trabalho no carro, faltava só uma placa para o acesso à Internet para tornar o banco do pendura um escritório perfeito.

Os planos de chegada ao trabalho passam a ser as 11h, havendo casos que se contentam em puder almoçar no local de trabalho.
A certa altura a fome aperta e passamos à pausa da manhã, faltava só o café porque a monotonia do local já começava a cansar.
Volta e meia a chuva forte aparecia e isso começava a ser chato, porque estragava o convívio das pessoas fora do carro.
Eram 9h37.
Assim de repente eis que o trânsito começa a andar, embora eu tivesse de conduzir com a cabeça de fora, porque tinha o vidro completamente embaciado, mas sempre era melhor que nada.
Começam a passar as boas novas de que algo começa a andar, lento mas a andar, isto até perceber que as minhas duas possibilidades em direcção ao trabalho estavam cheias de água e lama e que estavam cortadas.. recorro ao telemóvel para conseguir obter alternativas e surge Frielas, sendo que era a última oportunidade, embora não houvesse grande esperança.
Afinal tinha razão, acesso de Frielas fechado nos dois lados da estrada, então a única solução que tenho é ir em direcção a Loures e ligar ao chefe para dizer que até gostava de ir trabalhar, mas não tenho acesso disponível.
Eram 10h35.
Dando a volta em Loures, deparo-me com nova piscina, mas esta bem mais assustadora e cheguei mesmo a pensar que ia ser desta que a água ia entrar pelo carro adentro.

Isto é já a parte final da piscina, pois no meio senti que não podia ficar ali muito tempo senão ia afundar!
Estabilizado o andamento, eis que o chefe me liga para me avisar a impossibilidade que é chegar ao emprego.
Boa, pensei eu. Digo-lhe que já sei isso porque estive no meio dessa confusão e que de forma alguma consigo chegar ao trabalho. Ele diz que está em casa e aconselha a fazer-me o mesmo e eis que vejo alguma esperança, porque penso que na direcção de casa é o único sítio que não haverá confusão.
Finalmente uma previsão correcta! Ao cruzar a estrada vazia, foi marcante olhar para o lado e ver que a confusão na qual tinha estado mais de duas horas, estava ainda pior!
Eu sabia que estava a poucos minutos de casa, mas aquelas pessoas estavam a várias horas do trabalho, horas que iam somar às outras que já tinham passado parados.
Nesta altura algumas necessidades começam a ser prementes e fica a ser complicado aguentar mais algum tempo. Chego rapidamente a casa e alivio a bexiga.
Eram 11h20.
Finalmente alguma calma e tranquilidade. Ligo a televisão e o caos é mesmo geral.
Fico aliviado por estar nalgum lado, mas era o mesmo lado do qual tinha saído 4 horas antes.
Eram 11h40 de uma manhã infernal.

1 comentário:

Rui disse...

"Estabilizado o andamento, eis que o chefe me liga para me avisar a impossibilidade que é chegar ao emprego.
Boa, pensei eu. Digo-lhe que já sei isso porque estive no meio dessa confusão e que de forma alguma consigo chegar ao trabalho. Ele diz que está em casa e aconselha a fazer-me o mesmo..."

e tu preocupado em chegar cedo ao trabalho!!