quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Um chapéu

Com dias escuros e negros como o breu, era por demais obrigatório e imperativo que qualquer um se fizesse acompanhar pelo belo acessório do chapéu de chuva.
Obviamente que no início a escolha recaiu sobre um daqueles pequenos, que ao carregar no botão geram um espectáculo de luz e cor ao se desabrochar artisticamente. Acontece que, apesar do espectáculo, o tamanho reduzido não prometia grande eficácia, e com as condições a piorar ao longo dos dias não se adivinhava futuro risonho para o pequeno chapéu.
Por isso a opção teve de recair num mais tradicional, que apesar de maior, assegurava maior sucesso.

Após uma breve análise às opções disponíveis em casa, descobri que a minha mãe tem várias opções mas para um elemento masculino da casa as escolhas são bem reduzidas. Sendo assim tive de optar por aquele com o ar menos feminino.
Depois de escolhido foi altura de o por à prova, durante dias cumpriu o seu objectivo conseguido fazer com que a chuva que me era dirigida, não causasse grande moça. Mas o teste era simples, a chuva era fraquinha e por isso era de esperar que o chapéu conseguisse aguentar o esforço.

Mas certo dia, durante o percurso para o comboio eis que surge novamente a chuva e o chapéu ganha nova oportunidade de brilhar, o problema foram as duas rajadas de vento que em menos de 5 segundos puseram um fim trágico à história deste chapéu. Essas duas rajadas puseram também fim à chuva que tinha iniciado 30 segundos antes, pelo que tivesse o chapéu conseguido aguentar mais um pouco e teria passado incólume. Infelizmente não foi o caso e depois de entregue a sua alma ao criador, eu entreguei os seus restos ao contentor mais próximo.

Moral da história, perdeu-se um chapéu e ganhou-se uma molha. No entanto desde desse dia que não chove e por cada raio de sol sinto que o valente chapéu conseguiu cumprir o seu propósito.

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