"A arte de tributar é como depenar um pato, tirando o maior número possível de penas com o mínimo de guincho."
Quando confrontados com esta questão numa prova de avaliação qual é a nossa reacção?
Acho que a primeira reacção será que o nosso professor ficou louco e a sua loucura já transparece nas provas de exame. Mas ao olhar cuidadosamente para a questão, percebemos que realmente as bestas somos nós e que o professor é professor por alguma razão. A genialidade embutida numa simples frase como aquela é incrível.
Primeiro que tudo atribui à tributação um estatuto de arte, de algo sublime e de sentido estético. Um processo em que conhecimento é usado para realizar determinadas habilidades, neste caso tributar. Logo aqui é visível a grandiosidade e o carinho que com que esta actividade é tratada.
Mas esta mui nobre arte de tributação pode-se assemelhar a uma mais antiga arte e tradição, a de depenar um pato, um animal que subjugamos aos nossos caprichos e que manipulamos sem dó nem agrado. Uma tradição ancestral de sobrevivência com a qual crescemos e continuamos a lidar. Mas com o passar do tempo essa mesma arte sofreu melhoramentos e desenvolveu uma outras formas, formas em que o sofrimento infligido ao animal é bem menor, não tendo assim de ouvir o seu guincho.
Depois de feita a escalpelização dos elementos constantes na pergunta percebemos a incrível comparação que é feita entre os dois elementos que à partida são completamente díspares.
Nesta caso os patos somos nós, que andamos na nossa vida bem contentes e alegres, até encontrar algo sujeito a tributação, nessa altura é com se uma pena nos fosse retirada. É claro que dependendo da tributação, nós vamos guinchar mais ou menos. Mas aí entra a forma de arte aplicada à tributação. A tributação deve ser feita de uma forma tão artística que nem devemos dar por ela, e por consequente efectuar o menor guincho possível. Porque se formos muitos a guinchar, vai causar alarido.
A arte de depenar um pato, tirando o maior número possível de penas com o mínimo de guincho, ou seja, tributar até mais não o pobre do contribuinte, mas ainda assim fazê-lo de forma que o tipo não desconfie de nada e nem tenha tempo para piar.
Fácil de perceber então, depois desta eloquente e esclarecedora explicação, que toda esta temática é "de uma facilidade confrangedora".
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