quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Há momentos assim

Há momentos em que nos evadimos do mundo ao redor, momentos em que nos abstraímos de tudo o que nos perturba e ocupa, momentos em que o mundo é nosso e viajamos no espaço e tempo a belo prazer, para recordar como era em tempos passados, ou como devia ser no futuro.
Momento em que gostaríamos de fazer parar tudo e todos, e organizar as coisas à nossa maneira, de transformar o mundo naquilo que gostaríamos que ele fosse e não naquilo que ele é. De alterar e modificar eventos e acontecimentos, de evitar tragédias e desgostos, de poder estar presente em vários sítios e locais, com várias pessoas ou só com uma.
Momentos que seriam únicos e infinitos, em que o limite seria a nossa imaginação e capacidade, momentos em que não haveria tristeza mas só alegria. Em tudo aconteceria, ou em que nada se movia. Momentos de conforto e de festa, com a certeza de que nada os poderia impedir ou estragar.

Nesses momentos somos donos do mundo e donos de nós, e muitas coisas aconteceriam de forma bem diferente. Visionamos tudo com maior clareza e planeamos as coisas para que tudo fosse perfeito.
Nada de tristezas, nada de angústias, nada de maldade, nada de morte...

Mas momentos assim não existem na vida, a vida segue sempre o seu curso não esperando por ninguém, não tendo contemplações por ninguém. Custa perceber, custa aceitar, leva tempo até nos habituarmos, por vezes nunca nos habituamos. É algo que passamos a ter de conviver, levamos com o murro no estômago e nem temos tempo de ir ao chão, pois já estamos a ser puxados para o próximo acontecimento.

Era bom haver momentos em que com um estalar dos dedos as coisas voltariam atrás e ficaram como novas. Era bom haver momentos como este.



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