Um país, dois sistemas
A China tem uma crítica apontada a si como sendo um país com dois sistemas. Essa crítica refere-se aos sistemas políticos vigentes, mas o mesmo pode ser aplicada a Portugal, não a nível de sistema político mas de sistema social.
Portugal é um país com várias realidades sociais e nestas férias tive oportunidade de puder testemunhar isso por mais que uma vez.
Alguns dos factos são conhecidos e não são novidade, mas passando pelas realidades é a única forma de nos apercebermos realmente das diferenças e discrepâncias.
Basta passar a placa de Vilamoura para entrarmos num local diferente, bem diferente do resto da paisagem. Um local desenhado para o turismo de luxo e internacional, onde o português tem de jogar ao mesmo nível ou então serve como mão-de-obra.
Não critico a opção, é uma ajuda para a imagem do país e para a dinamização da economia, mas é um imenso contraste em relação a Portimão.
Em Portimão o turismo já é mais nacional, mas a preocupação ambiental e sobretudo arquitectónica é nenhuma. Constrói-se sem nenhuma ordem nem harmonia prédios gigantescos junto à praia, cada um diferente do outro, cada um mais feio que o outro.
E estando o centro, que é como quem diz as imediações da praia da Rocha, cheio, a expansão acontece para o interior com a mesma desordem e confusão das construções junto da praia.
No meio disto temos um Allgarve de extremos, aquele que se alimenta do turismo de luxo, e que nem parece ser português, e aquele que vive do turismo nacional ou do turismo internacional de baixos rendimentos, para esse não é preciso organização, basta haver sol e o resto vai-se arranjando.
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