sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Há noites como esta

O André diz que as melhores cenas, são aquelas que são combinadas na hora e das quais não se está à espera que aconteçam.
Ontem à noite foi um caso desses. Não estava sequer previsto sair de casa com a febre que me atacou durante a tarde mas acabei por me deslocar até lá para ver aqueles que muitas vezes animam a minha vida.
No final do café e no palavra puxa palavra o André diz-me que tem de ir buscar o irmão ao jantar do caloiro e acedo ao seu pedido de lhe fazer companhia. Antes de irmos para Lisboa ainda fazemos uma paragem no Decas para um bebida e para buscar mais dois malucos para a viagem.
Chegados a Lisboa a primeira coisa que fazemos é comer! Uns nas roulottes outros no Mac, é também por essa altura que encontramos o Miguel e que ele me faz o favor de sorver dois terços do meu ice tea, mas pronto.
Como o Rui ainda ia demorar decidimos fazer um pit-stop no Bairro Alto, é aqui que tenho a minha primeira experiência todo o terreno, não que tenha andado em todo o terreno, mas porque pude conduzir o jipe do André pelas ruas apertadas das imediações do Bairro.
Depois de estacionado no local estratégico do costume, lá vamos à procura de um amigo deles e só o encontramos mesmo perto da quinta casa do camandro, ó catano ou caneco! Nem sequer sabia que aquela zona existia no Bairro!
Mas é uma zona sui generis e um tanto ao pouco agressiva, mas ainda assim bem frequentada.
Finalmente o Rui fica despachado e lá vamos nós, mas pelo caminho temos aquele que é, sem dúvida, o melhor encontro no Bairro.
Uma casa de pasto com uma porta meio aberta pela qual o André espreita e o respectivo proprietário aproveita para meter conversa connosco e contar muito daquilo que já foi, e que é agora, o Bairro Alto, numa lição de história impressionante, esclarecendo que a génese do mesmo foi feita com, e passo a citar, "putas, chulos, cabrões, marinheiros, políticos, jornalistas, escritores, paneleiros, ardinas, varinas, pides, chibos, linotipistas, tipos de esquerda, tipos de direita, etc..."
Fomos também brindados com também a história de que as galinhas ainda (vou voltar a citar) "fodem com o cú" e termina com uma memorável recomendação que deixo para mais daqui a pouco. Depois deste momento dificilmente poderia haver melhor, até porque o sono já estava à porta, mas eis senão que temos operação stop. Sem problema, o condutor estava 100% operacional e para demonstrar isso até deu o cartão do grupo sanguíneo ao agente!
Resolvida a troca de cartões foi soprar no balão e voltamos à estrada, para nem 5 minutos depois voltarmos a parar para nova operação stop, desta vez os documentos já estavam alinhados e o processo foi mais rápido.

Para o resto da viagem pouco mais há a contar, por isso vou deixar aquela que foi a frase da noite, referida à porta do número 65 numa das ruas do Bairro:
"Se virem um paneleiro, não olhem com desdém.
Porque se ele tivesse ovários, podia ser vossa mãe!"

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