terça-feira, 12 de agosto de 2008

Ensaio sobre a Cegueira

Mais uma sexta em que os "mais 10 minutos na cama" se esticaram, e mais uma vez volto a sair mais tarde que o aconselhado. Com o sono e pressa as coisas têm de ser feitas mais rapidamente para não acumular ainda mais o atraso, por isso visto-me ao mesmo tempo que arrumo as coisas na mala e as torradas se queimam. Depois de limpar o queimado das torradas e ter tudo pronto lá vou eu a fazer contas ao tempo. A meio caminho lembro-me de um pormenor de elevada importância, não tinha posto as lentes, nem sequer trazia os óculos.
Pânico.
Estava a conduzir em direcção ao trabalho sem o apoio visual que preciso todos os dias.
No entanto algo estava diferente, pois conseguia ver tudo perfeito e nítido. Por momentos acreditei que a sopa de medicamentos que estava a tomar originasse algum efeito secundário ao nível da retina, estava espantado e assombrado pelo facto daquela combinação ter conseguido recuperar-me a visão. Foram momentos de estupefacção e de uma visão do Nobel da Medicina nas mãos.
No meio desta alegria olho no retrovisor para melhor apreciar a cara do homem que ia mudar a Medicina moderna. Esse homem tinha algo nos seus olhos, algo para mostrar ao mundo, até o seu brilho era diferente, era um brilho azulado.
Nesse instante percebo como foi possível aquele milagre da medicina, um milagre que afinal era fruto do esquecimento na noite anterior em retirar as lentes. Estava desvendado o mistério e com isso vejo o Nobel e o reconhecimento internacional a fugir-me por entre os dedos. Ora bolas...

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