O dia da liberdade
Passam 33 anos do dia 25 de Abril de 1974.
Na cerimónia solene na Assembleia da República, o Presidente afirmou que os jovens não se identificam com o significado do 25 de Abril, e que cada vez mais é um acontecimento que vai perdendo significado e importância.
Concordo.
É complicado perceber e compreender algo que não vivemos.
Felizmente nasci em liberdade absoluta. Liberdade para dizer e pensar, liberdade para agir e para viver. Felizmente sei valorizar essa liberdade e respeito todos aqueles que dela se viram privados durante muito tempo, assim como aqueles que lutaram para que a liberdade fosse reposta em Portugal.
Há pessoas que não pensam assim, há alguns que até acham que o "Grande Português" Salazar, foi a melhor coisa que aconteceu neste país.
Cada um tem a sua forma de pensar e ver as coisas, o 25 de Abril deu-nos também a responsabilidade de aceitar os outros, tal qual eles são, com as suas ideologias políticas e pessoais, não podendo, nem devendo estas serem motivo de perseguição. Seria uma inversão ao verdadeiro sentido do 25 de Abril. Seria uma machadada no esforço e trabalho de todos aqueles que lutaram para que Portugal fosse livre, como hoje é.
É preciso homenagear e respeitar, todos que fizeram da liberdade a sua luta e pela qual muitos deram a sua vida.
Mas muitos não sentem da mesma forma que eu e, infelizmente, esse desligar não passa apenas pelo 25 de Abril, passa por muitos outros aspectos da sociedade.
Muitos jovens são ignorantes em relação à nossa história, a tudo aquilo que fomos e que somos como povo. Muitos não conhecem sequer as suas raízes, quanto mais as de um Senhor que um dia se lembrou de tornar um Condado num Reino Independente.
Muitos não saberão quem é o nosso Presidente, Primeiro-Ministro e afins, estarão bem mais preocupados com o que vai acontecer no próximo episódio dos Morangos e se a Floribella fica ou não com o seu príncipe.
Esta desconexão da realidade histórica, política e social assusta-me. Se os jovens de hoje são os homens de amanhã, que tipo de país teremos?
Decerto que nem todos os jovens serão assim, há aqueles que até têm os meios para poderem estar atentos e actualizados sobre Portugal e o mundo.
Os telemóveis e Internet fazem parte do dia-a-dia de quase todos nós, por isso é fácil saber-se e pesquisar-se sobre determinada situação. O problema é que tudo tem o seu lado mau, e as sms, messenger e hi5 acabam por minar o interesse educativo da net. É claro que podem ser ferramentas úteis e eficazes, se não fossem também um atentado à forma como se trata a Língua Portuguesa. Fica fácil de perceber porque é que o Português começa a ser um problema ao mesmo nível da Matemática.
É claro que a culpa não é só dos jovens, se os mesmos não motivados para participar activamente na vida do país, eles por si só não o vão fazer. Infelizmente a classe política acaba por estar um pouco viciada, são sempre os mesmos, se não são os mesmo é porque são os adjuntos que agora são líderes. Não parece haver uma renovação da classe política, ou se há é como a do PCP, quando os dinossauros ficam senis, mudam-se por dinossauros semi-senis. Convínhamos que as trapalhadas sucessivas não ajudam nada, é claro que é bom saber se o Primeiro-Ministro tem as habilitações que diz ter, mas vamos fazer isso notícia mais importante que a falta de meios para garantir a segurança dos cidadãos, ou das urgências que fecham porque não há dinheiro para as manter?
Cada vez mais, faz sentido o que diz o meu professor Tribolet, "É preciso que esta geração de políticos e empresários morra toda, para vir uma nova geração consciente e bem educada para resolver bem os problemas e recuperar o país."
Parece radical demais, mas acaba por ser verdade. Há alguma coisa que nós tenhamos diferente dos outros? Não temos petróleo, nem diamantes, mas também é bom senão andávamos a matar-nos uns aos outros.
Há países que não têm nenhum dos dois e que são bem diferentes de nós, para melhor. Porquê?
O segredo são as pessoas.
As pessoas é que fazem o país, e as pessoas é que mudam o país.
Basta olhar para o 25 de Abril de 1974.
Houve mudança porque as pessoas assim o quiseram, se tudo estivesse bem não havia nada para mudar.
Bastou haver vontade e motivação.
Parece que é o que nos falta nesta jovem democracia, para encarrilhar as coisas.
Falta o 25 de Abril das mentalidades, mas para esse temos de ser nós a pó-lo em marcha, não esperemos por nenhum pelotão do Exército vindo de Santarém para nos ajudar.
Mas não vamos saltar etapas. Foi preciso haver o 25 de Abril de 1974, para que o 25 de Abril de 2007 fosse o que fosse.
A todos que dele fizeram parte, o meu sincero e honesto agradecimento.
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