Taizé
Parti sem saber bem para o que ia, já muito tinha ouvido e visto de Taizé, mas nunca experimentado a verdadeira fonte. A breve paragem de algumas horas em 2005 não deu para perceber nada. O ambiente era diferente do normal e do expectável.
Por tudo isto é natural que houvessem expectativas, muitas expectativas, ainda por cima tratando-se da Semana Santa.
Da viagem do autocarro pouco há a relatar, conversa e brincadeira constantes, jogos de sueca e com isso o tempo lá passou. Chegamos a Taizé e a confusão instalou-se, as malas todas e os autocarros que chegavam, o levar as coisas todas para um lado e para o outro, as indicações confusões e o trabalho que nem se sabia bem o que era. Confesso que me senti perdido, mas esta confusão inicial terminou com a primeira oração, o primeiro contacto com o ambiente daquela igreja cheia de gente e dos cânticos entoados, que até arrepios causaram, dissiparam tudo de menos bom que tinha acontecido.
Depois disto tudo mudou, o ter de acordar cedo para ir para as orações, o trabalho (árduo) que se seguia, mas que era em prol de nós e dos outros, assim como o trabalho de todos lá o é.
Por vezes era pesado, mas com boa disposição e alegria passava e era sempre bom no fim poder sentar e tomar uma chávena de chá e trocar umas palavras ou brincadeiras. Nestes pequenos momentos e gestos muita coisa grande acontece.
As reflexões e o contacto com pessoas de outros países, culturas e experiências, é sem dúvida marcante e enriquecedor. O conhecer outras formas de viver a fé, ou de sentir a fé, outras vidas e outras experiências, mas a mesma vontade de descobrir e que as leva a desinstalar-se por uma semana, ou até mais, na busca delas e de Deus.
Os workshops, uns melhores que outros, mas que de uma forma simples e com palavras simples, despertam a nossa atenção e o nosso pensar para questões importantes.
A oração da noite, um dos momentos altos do dia, aquele momento de dedicação e de concentração em que o ambiente e a tua disposição são preponderantes, acabam por ser únicos e extremamente marcantes. Muita coisa me marcou nessas orações, mas achei impressionante que a oração termine apenas quando tu quiseres, pode durar o tempo que quiseres e (quase) da forma que quiseres. A possibilidade de poderes falar com os irmãos, de poderes expressar os teus sentimentos e teres alguém que te pode ouvir, o contacto directo com as pessoas daquela comunidade que te acolhe e te abriga, a suas palavras, a sua experiência.
Usei deste privilégio para falar com o Irmão Alois, e do nada sou convidado a almoçar no dia seguinte com os Irmãos, convite inesperado e que muito me marcou. Dos nervos incríveis que senti, da dificuldade que tive em explicar em francês, mas que incrivelmente consegui arranhar, para ser levado ao local onde haveria ao almoço. Aos irmãos que me acolherem e me ajudaram naquele ambiente bem diferente, do irmão James, que comigo conversou grande parte do tempo, falamos do encontro de Lisboa, de Taizé, dos irmãos, das pessoas que lá vão, da vida deles, da sua descoberta de Taizé, do seu trabalho lá, da minha vida, aquilo que faço e no meio disto tudo até bases de dados e informática falamos!
É complicado conseguir colocar tudo em palavras, pois há coisas que não se explicam e há outras que a memória já custa a lembrar.
Há coisas e pessoas que não se vão esquecer, tudo fica marcado no coração e germinará um dia, se assim o quisermos e deixarmos. Foi muito bom e nunca vou esquecer esses dias nem tudo que de lá trouxe. Uma lição de vida para a minha vida.
O meu Obrigado a todos que comigo partilharam esta experiência, que aceitaram o Desafio de Deus e se deixaram levar pelo seu Mistério.
A todos que vieram comigo no autocarro, àqueles que conheço desde sempre, aos que conheci lá e aos que gostaria ter conhecido melhor, todos foram marcantes à sua maneira.
Ao Claus, David, Anna, Mario, Daniel, Sara, Silvija, Elisabeth, Laura, Marta, Bianca, Flávio, João, Marissa e a todos que me tocaram mas que não houve oportunidade para saber o nome ou conhecer melhor.
Ao irmão David, Richard, Sebastian e a todos os outros, pelas palavras fortes e marcantes e pelo exemplo de simplicidade e de humildade que deram e que são todos os dias.
Ao irmão James, que esteve ao meu lado no almoço com os irmãos e com quem mais falei, pela simpatia e pelo interesse que demonstrou, pelo seu compromisso, para que Deus o ajude e o acompanhe sempre.
Ao irmão Alois, pelo enorme sorriso e pela imensa alegria que mostrou ao ouvir as minhas dúvidas e questões, pela simpatia e simplicidade do convite que me marcou e pela forma sempre alegre e atenta com que falou com todos. O olhar cativante e o sorriso sempre reconfortante, assim como as palavras sábias para o momento certo, mostram que não é preciso ser-se Doutor ou Engenheiro para se saber de Deus.
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