Acordo Ortográfico
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 1990, é um tratado internacional que tem como objectivo criar uma ortografia unificada para o português, a ser usada por todos os países que usam esta língua. Desta forma é criada uma unificação no que à ortografia diz respeito, pois o português é a única língua no mundo com duas normas ortográficas oficiais, uma vigente no Brasil e a outra nos restantes países da CPLP.
Após várias tentativas ao longo dos anos, e dos inúmeros encontros e acordos, nunca foi possível criar essa unificação, pois nem todos os países ratificaram os sucessivos tratados. Em 2004 foi proposto um "Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico", que para além de prever a entrada de Timor-Leste na lista de signatários, previa que com a aprovação de apenas três países o Acordo fosse aprovado. Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe já ratificaram esta alteração, cumprindo assim o número suficiente de países necessários para a entrada em vigor.
Na prática o Acordo tem condições e já devia estar em execução, mas a falta de ratificação por parte de Portugal coloca todo o processo em espera, pois pelo peso histórico, apenas com o sim português o Acordo toma de facto visibilidade e efectividade.
É então aqui que o caso se torna complicado, a premente pressão brasileira para que o Acordo se torne efectivo contrasta com a passividade e constante adiar português na resolução da questão. Falou-se que se seria ratificada em finais de 2007, sendo que apenas hoje foi ratificado pelo Governo Português com um prazo de transição de seis anos.
Provavelmente serão precisos mais alguns para mudar uma geração completamente, ao contrário da moeda a língua não pode retirar-se de circulação.
Por trás deste Acordo existem, como sempre, apoiantes e críticos, sobretudo linguistas e escritores que consideram que o Acordo não trará nada de novo, mas sobretudo uma perca de tempo e dinheiro, pois tudo que foi feito para trás a nível de gramáticas, dicionários e os próprios livros, ficarão obsoletos aquando da entrada em vigor do Acordo.
Do outro lado temos as editoras, que ávidas por terem de nos impingir novos livros, desesperam pela entrada em vigor do Acordo. Mas o desespero maior é das editoras brasileiras, pois com o Acordo poderiam mais facilmente entrar no mercado africano, que é dominado pelas editoras portuguesas com o Português de Portugal.
Apesar de todas estas indecisões e contradições a nível da entrada em vigor, é importante perceber o que muda com este acordo. Segundo especialistas, em Portugal e nos restantes países lusófonos que não o Brasil, as mudanças afectarão cerca de 1,6% do vocabulário total. As alterações mais significativas encontram-se na eliminação das consoantes que não são pronunciadas.
| Norma actual (pt) | Acordo ortográfico |
|---|---|
| acção | ação |
| didáctico | didático |
| direcção | direção |
| eléctrico | elétrico |
| óptimo | ótimo |
Este quadro ilustra algumas das alterações previstas no acordo, e apesar de haver outras que considero menores, mas igualmente relevantes, estas são aquelas que mais me chamam a atenção e me causam mais confusão.
Isto porque introduzem uma alteração forte e vincada naquilo que é a escrita corrente e normal. porque mudam por completo aquilo que estamos habituados a ver e a escrever.
O português escrito sempre foi diferente do falado mas com estas alterações ficam mais próximos, embora eu continue a achar que as palavras agora aceites são atrocidades linguísticas.
Para mim isto é tornar a língua mais próxima do "brasileiro", para mim isto é simplificar demais a escrita. Pode dizer-se que é em prol da uniformidade, mas torna-se em prol da simplicidade.
Numa era em que a língua portuguesa é já alterada pelo calão, pelos estrangeirismos, pela escrita dos telemóveis e do messenger, isto faz com que a preguiça natural que temos em escrever algumas palavras, passe para a escrita normal e se deseduque as pessoas e a escrita.
Sinto que ficamos a perder com esta mudança, não sei se algum dia me vou habituar a esta nova escrita, não sei se algum dia serei capaz de a compreender, porque para mim a língua portuguesa sai ferida com este Acordo.
Acordo que devia zelar pela tradição, educação e preservação da língua e não pela sua transfiguração grotesca.
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