sexta-feira, 16 de junho de 2006

Num dia como tantos outros

Era um dia normal, como tantos outros, em que a única preocupação que havia era aproveitar o sol e relaxar, todas as outras obrigações estavam longe e não eram relevantes, era um dia em que o tempo não importava e acontecia tanta coisa que a sensação era que o dia não tinha fim.

Saíram os dois, como tantas vezes fizeram, para aproveitar esse mesmo dia e esse sol, para descontrair e falar, para brincar e relaxar, aproveitar a companhia sempre alegre um do outro, mas logo ao vê-la ele sentiu algo de diferente, sentiu-a ainda mais bela que outrora, sentiu que ficara contagiado pela sua beleza naquele instante e uma alegria incontrolável que o percorria de alto a baixo.
De facto há algum tempo que não estavam juntos e o reencontro entre os grandes amigos era algo que ele sempre gostara e que lhe trazia sempre uma grande alegria, mas o sentimento estava bem mais forte naquele dia…

A conversa começou a fluir, as brincadeiras sucederam-se, o riso era alegre e descontraído e como era bom ouvi-la rir e ver o seu sorriso que era o retrato da alegria que decerto trazia no coração, era contagiante e impressionante, ele não queria por nada que aquela tarde terminasse, sentia-se tão feliz, tão alegre e sentia a mesma alegria e felicidade nela.

No meio daquele misto de sensações sentia-se tão bem e tão seguro e via nela a pessoa com quem compartilhar essa alegria e que o fazia igualmente feliz, ele sentia algo de incontrolável e inexplicável, sentia a vontade de a abraçar, de saltar, de dançar, de correr mas ao mesmo tempo sentia que estar junto dela sem mais nada dizer e fazer que mesmo assim estaria bem.

Ele sabia que gostava dela há muito como grande amiga, a sua amizade era muito forte e verdadeira e nunca houvera problemas em dizer nada sobre qualquer assunto e naquele momento ele sentia que tinha de dizer que estava feliz junto dela, que ela o fazia feliz, que era algo que nunca sentira, mas também que era estranho e ainda não muito compreendido.

E ele disse, sem medo, sem receio, pois a confiança entre eles era total e estava na base de toda a amizade entre eles. Talvez não tivesse escolhido as melhores palavras, nem a melhor forma, talvez tivesse sido um pouco atabalhoado e confuso, mas o que lhe saia da boca vinha directo do coração e mesmo sem fazer muito sentido, ela com toda a sua simpatia e generosidade esboçou um sorriso e disse-lhe que percebeu e compreendeu o que ele lhe dizia e que ela mesmo sentia-se contente e feliz ao estar junto dele e ambos sorriram e abraçaram-se num momento de compreensão perfeito.

Voltaram para casa na mesma alegria e felicidade com que partiram, ambos são importantes um para o outro e aquele tinha sido um marco de afirmação de algo que os seus corações já sentiam.

Com o passar dos dias os encontros foram-se sucedendo e as experiências também e as emoções e sentimentos iam também aumentando no seu coração, causando uma alegria e uma estranheza, sem dúvida que nunca tinha sentido nada assim, mas não seria uma confusão entre os sentimentos? Ela via-a como a pessoa com quem queria estar, a pessoa que o fazia feliz, ele conhecia todos os seus feitios, todos as suas virtudes e gostava dela em todas elas, conseguia perceber todas as suas acções e respeitá-las.
Ele via nela algo que não conseguia ver em ninguém, a pureza dos sentimentos e das palavras, a preocupação pelo outro, o carinho, a simpatia, a alegria e o sorriso, desejo de felicidade e de liberdade

A beleza dela para ele sempre fora visível e sempre a reconhecera, mas agora estava diferente, mais radiante, mas essa beleza começava por dentro no interior do coração e vinha embelezar todo o exterior

Ele ficava sem palavras, ficava estático e atónico, sem saber o que fazer e dizer perante tamanha felicidade que sentia junto dela, não conseguia perceber o porque de ficar com aquela impressão no estômago, o porque do coração disparar a cada palavra, a cada gesto. E tudo isso o marcava e o deixava confuso, sem saber bem como lidar com aquilo, sentido cada vez mais confuso o seu coração e a sua alma.

Foi partilhando a sua inquietude e as suas preocupações com ela, não tinha mal nenhum, a compreensão entre eles era imensa, em poucas palavras ambos conseguiam entender o que o outro queria dizer.

Sentiu que não podia fazer nada, que o tempo se encarregaria de dar as respostas que ele procurava e o tempo assim o fez.
A conclusão que chegara não podia ser mais clara e concreta, podia ter demorado algum tempo até chegar a ela, podia ter sido um caminho tortuoso e complicado, podia ter havido confusão e incompreensão, mas agora as coisas estavam perfeitamente compreensíveis, não foi nada que ele provocasse, nem fora nada que ele procurasse, foi algo que naturalmente aconteceu mas que agora fazia todo o sentido e o fazia feliz.

Com a maior das naturalidades e sinceridades de coração, ela conseguira tocar-lhe profundamente e deixar a sua marca, conseguira despertar sentimentos adormecidos e outros nunca antes sentidos, conseguira que ele percebe-se e consegui-se resumir tudo numa só palavra, palavra essa que ele sentia muito fortemente e verdadeiramente ser a essência de tudo o que sentia por ela: Amor...

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